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A dura a realidade do futebol entre as mulheres

redacaoestacio2019
26 de abr. de 2019
4 min de leitura

Atualizado: 2 de mai. de 2019

O futebol, esporte mais popular do mundo, ainda é bastante desprestigiado entre mulheres, mas esse parece ser um problema que futuramente terá outra realidade.


No ano de 2019, foi proposto pela Federação Internacional de Futebol Associação (FIFA) que os clubes da América do Sul criassem equipes de futebol feminino para, assim, continuar disputando competições continentais, dentre elas, a Taça Libertadores da América. A medida visa, principalmente, expandir a modalidade de uma forma geral, uma vez que, ao longo dos anos, foram poucos os times que realmente investiram equipes femininas. Entre as equipes mais famosas em âmbito nacional, podemos citar Santos-SP e América-MG.

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF), responsável pela aplicação e fiscalização dessas medidas no Brasil, tem como objetivo desenvolver o futebol feminino. Não faltam problemas e dificuldades para atletas e dirigentes dos clubes envolvidos a começar pelos salários das jogadoras que, muitas vezes, são discrepantes perante a modalidade masculina. Segundo o site de notícias UOL, o salário médio feminino é de R$1,5 mil por mês, variando de R$500 a 3 mil reais por atleta. Já para os homens, a realidade é diferente. Segundo o jornal francês L’Équipe, Neymar Junior, o jogador brasileiro mais bem pago do mundo, recebe mensalmente cerca de R$12,9 milhões.

Outra questão que atrapalha o desenvolvimento do futebol feminino é a falta de categorias de base para os clubes. Essa é uma das exigências propostas pela FIFA. De acordo com Bárbara Fonseca, coordenadora da equipe feminina do Cruzeiro-MG, é muito difícil haver renovação para clubes e seleção sem uma boa categoria de base.

“Existe um projeto do Cruzeiro para criar uma categoria de base para essas meninas. É um problema muito grande formar jogadoras hoje no futebol feminino, muitas atletas chegam já com idade avançada para as peneiras do futebol, inclusive, sem ter realizado antes nenhuma atividade esportiva. Isso atrapalha muito o desenvolvimento”, afirma.

Algumas equipes grandes do futebol brasileiro levaram a sério a exigência proposta pela FIFA e criaram equipes bastante competitivas, dentre elas, o Cruzeiro. No dia 12 de abril, durante a segunda rodada do Campeonato Brasileiro A-2, campeonato mais importante do Brasil, na modalidade feminina, a equipe celeste bateu a tradicional equipe do Aliança-GO por 7 a 0 no SESC-Venda Nova, região norte de Belo Horizonte (BH). Principal destaque da partida com cinco gols, a meia-atacante Maria Eduarda Sampaio, conhecida como Duda, marcou cinco gols na estreia de sua equipe em BH. A jogadora de 17 anos, que foi convocada pela primeira vez pela Seleção Brasileira ano passado, falou sobre as expectativas do projeto do clube e sobre seu futuro.

Maria Eduarda é considerada uma grande revelação do futebol na sua categoria Foto: Isabella Guerra

“Sou do interior de Minas, de Jequeri, tive essa oportunidade de vir para o Cruzeiro, que parece ter um projeto muito bom, que tem tudo para dar certo. Estamos começando agora e esperamos colher os frutos no futuro. Saí do América-MG ano passado, que também tinha um projeto promissor, e agora estou muito feliz por vestir a camisa do Cruzeiro também. Tudo isso é fruto do meu trabalho desde anos atrás. A torcida do Cruzeiro é maravilhosa”, diz.

Muito em função da baixa renda e também pela falta de expectativa sobre o futuro do futebol feminino, muitas jogadoras acabam tendo que conciliar outras profissões junto à carreira de atleta. Duda, por exemplo, afirma que em 2019, ingressará na universidade apesar dos planos como jogadora de futebol.

Grandes clubes brasileiros de futebol, dentre eles, o Cruzeiro, não conseguem mandar os jogos de sua equipe feminina dentro de suas principais estruturas, como seus Centros de Treinamento (CT’s). A equipe celeste, na modalidade masculina, realiza os treinos das equipes profissionais e júnior nas Tocas da Raposa I e II, mas não consegue realizar o mesmo com a modalidade feminina.

Os treinos da equipe feminina acontecem na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG), unidade Coração Eucarístico. O mesmo acontece quando o assunto são os jogos oficiais. Se na modalidade masculina os jogos do Cruzeiro acontecem no estádio Governador Magalhães Pinto, o Mineirão, a equipe feminina manda seus jogos em Belo Horizonte no SESC-Venda Nova, região norte da capital mineira.

Segundo Bárbara Fonseca, não depende do clube o fato da equipe feminina não jogar no Mineirão. “Vocês da imprensa batem muito na tecla de não jogarmos no Mineirão. O problema é que poucos sabem que a CBF proíbe qualquer clube profissional de realizar jogos em CT’s, a menos que dentro deles possua um estádio, o que não o caso das Toca I e II. Já o SESC-Venda Nova é considerado estádio. Jogar no Mineirão é muito caro e o futebol feminino ainda não é rentável o suficiente para proporcionar que isso seja possível”, desabafa.


Importância da divulgação


Algo bastante comum nos grandes eventos futebolísticos é a forte divulgação dos eventos. Grandes jogos de diversos campeonatos são sempre muito divulgados pela TV, rádio e internet. Preços de ingressos, calendários, informações gerais, transmissões, horários, são vários os assuntos divulgados. Entretanto, essa é uma realidade muito presente no futebol masculino e pouco no futebol feminino. Os próprios jogos da equipe feminina do Cruzeiro são de baixa divulgação. Apesar de diversas campanhas de clubes brasileiros oferecendo a troca de ingresso por 1 kg de alimento não perecível, pouco se sabe quando isso acontece.

Paloma Rodrigues, corresponsável pela divulgação dos jogos femininos do Cruzeiro, conta que sempre convida a torcida masculina para assistir os jogos das cabulosas, mas que não consegue atrair a torcida.

“Aqui, o estádio cabem cerca de 2,000 pessoas e hoje esteve longe de lotar. Isso é triste demais", aponta.

Torcida foge do forte de sol no jogo entre Cruzeiro-MG e Aliança- GO Foto: Isabella Guerra






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