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ENTENDA A DEPRESSÃO: DOR E TRISTEZA PROFUNDA

redacaoestacio2019
2 de mai. de 2019
4 min de leitura

Atualizado: 7 de mai. de 2019

Grande parte da população ainda não sabe exatamente o que é depressão. Inclusive, a doença é confundida com outros sentimentos e condições típicas do ser humano, como a tristeza, mau humor, baixa autoestima e desânimo. Mas, se essas sensações desaparecerem com o tempo, não há com o que se preocupar.


A depressão é diferente. É caracterizada por intensificar esses sentimentos sem tempo determinado para acabar, tratando-se de um transtorno mental, seguido de tristeza profunda. O cotidiano do depressivo fica cada vez mais comprometido, uma vez que a doença afeta sua capacidade de viver, interagir, trabalhar, comer e ter o sono regular.


Segundo a Secretaria de Saúde de Minas Gerais, entre 1º de janeiro de 2017 até 17 de agosto do mesmo ano, 595 pessoas tiraram a própria vida, uma média de três casos por dia. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 800 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos no mundo, o que seria equivalente a um suicídio a cada 40 segundos. Cerca de 11 mil pessoas se matam no Brasil todos os anos, uma média de 32 casos por dia. A doença é a segunda principal causa de mortes dos jovens de 15 a 29 anos.


Andréia Madureira, psicóloga no Núcleo de Atendimento Psicopedagógico (NAP) do Centro Universitário Estácio de Belo Horizonte, conta sobre a importância que a família tem em relação ao paciente: “O que mais acontece é a família falar que é frescura, tem que trabalhar, encher a cabeça com outras coisas, e não é. É necessário dar suporte, acompanhar e estar atento a qualquer mudança de comportamento”, disse.


Geralmente, a pessoa se sente muito angustiada, como se não pertencesse a esse mundo; atinge o auge da depressão profunda que é um desequilíbrio do cérebro. Essa fase da doença tem como principais sintomas: fadiga, indisposição para o dia a dia, falta de cuidado com o próprio corpo e a vontade de acabar com a própria vida.


Segundo o site Psicologia Viva, a depressão profunda não é apenas difícil, mas também é a mais perigosa. Mais de 90% das pessoas que cometem suicídio tem um transtorno mental diagnosticável. Há diversos outros tipos de depressão, como a bipolaridade ou a síndrome do pânico que pode ser gerada pela doença.


Quando o paciente é diagnosticado, começam os tratamentos que podem variar segundo os graus de depressão: leve, mediano e elevado. Caso o nível seja elevado, o recurso terapêutico deve ser a medicação. Se a identificação for leve ou mediana, é possível tratar a doença sem o uso de psicotrópicos.


Quanto à prevenção, Andreia indica praticar exercícios físicos, ter uma alimentação saudável e bons relacionamentos interpessoais. Utilizado como uma forma de tratamento e prevenção, é importante que as pessoas façam terapia, mesmo que haja um certo preconceito da sociedade, que, segundo a psicóloga, existe em relação às doenças psiquiátricas.


Para o terapeuta transpessoal, Juliano Azevedo, o uso da terapia serve como estudo da mente, corpo e espírito. A análise dos sonhos e mandalas são fundamentais para a compreensão dos problemas e angústias que afligem os pacientes.


Os especialistas recomendam e enfatizam que a sociedade, mas principalmente os familiares que convivem diariamente com os pacientes, deem suporte para o depressivo. Depressão é uma doença com qualquer outra, mas, que atualmente, atinge uma população leiga.


Acompanhar de perto as alterações e, se necessário, buscar um tratamento específico é fundamental para ter-se uma boa qualidade de vida.



Para aprofundar o tema, o Comunica News convida a Psicóloga e Terapeuta Interativa, Josiane Gusmão.


CN: O que é depressão e quais seus principais sintomas?


Josiane Gusmão: A Depressão é um transtorno mental que afeta varias dimensões da vida do indivíduo, como familiar, social e laboral. O indivíduo perde a capacidade de sentir prazer, pode ter tristeza, irritabilidade ou ambos. A doença pode também se manifestar como incapacidade de ter sentimentos, o indivíduo apresenta isolamento social e sono irregular.


CN: Geralmente em que grau da doença o jovem procura ajuda de um profissional?


Josiane Gusmão: Quase sempre é um familiar que busca ajuda e traz o indivíduo. Infelizmente as pessoas se dão conta de que precisam de ajuda quando o quadro já agravou muito.


CN: O tratamento com o psicólogo é muito importante, mas existem outras formas de tratar essa doença?


Josiane Gusmão: Sim. Além da psicoterapia, dependendo do caso é necessário o medicamento alopático que combate as doenças com o uso de medicamentos que produzem efeitos contrários aos sintomas causados por elas. Existem também o tratamento por meio de algumas modalidades de práticas integrativas, como a homeopatia, a fitoterapia e a familiar acupuntura. Todas essas modalidades apresentam bons resultados quando bem aplicados.


CN: Existe um ex depressivo ou a pessoa carrega doença para sempre?


Josiane Gusmão: Se for bem tratada, se o indivíduo encontrar todo apoio familiar e psicossocial que necessita, é totalmente possível que o quadro depressivo entre em remissão. Cada situação é uma e toda generalização é precipitada.


CN: Tem como explicar com palavras a dor que essas pessoas sentem?


Josiane Gusmão: Muitas pessoas relatam sensação subjetiva de opressão, de não se sentirem pertencente a esse mundo ou relatam que se sentem sem saída, angustiadas, sem lugar. Algumas podem cometer atos auto lesivos como tentativa de apaziguar a dor, culminando no suicídio.


CN: A família do jovem depressivo geralmente apóia o tratamento ou simplesmente ignora?

Josiane Gusmão: Com a disseminação da informação sobre esse tema, felizmente a maioria apoia o tratamento, principalmente quando confiam e obtém um bom suporte por parte da equipe profissional.



Saiba mais sobre a depressão


O que é depressão?


É um transtorno mental que afeta várias dimensões da vida do indivíduo como profissional, social, familiar, entre outros. A pessoa sente tristeza profunda, falta de prazer pela vida, mantendo-se isolado, com sono irregular e falta de apetite.


Quais são as principais causas?


Geralmente são traumas de infância, podem ser fatores genéticos, uso excessivo do álcool ou outros tipos de drogas, distúrbio do sono e doenças cerebrais.


Sintomas da depressão.


- Sentir-se inútil e culposo.

- Ter pensamentos ruins.

- Perder a vontade de viver.

- Dormir demais ou ter insônia.

- Apetite irregular.

- Alteração no peso.

- Irritação, inquietação e raiva.


Como é o tratamento?


Uma combinação de esforços que envolvem profissionais como o Psicólogo, o Psiquiatra e uso de medicamentos. O indivíduo também pode contar com centrais de ajuda, como os Amigos na dor http://ipn.org.br/amigosnador/ e CVV Centro de Valorização da Vida, ligando 188 ou acessando o site https://www.cvv.org.br/.



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