REDES SOCIAIS: UM CAMINHO SEM VOLTA

O ano é 2019. As tecnologias só evoluem, mas o momento agora é das mídias digitais, em especial, as redes sociais. A rede social mais utilizadas no Brasil é o Youtube, seguido do Facebook, do WhatsApp e do Instagram, respectivamente. Diante do cenário, as mídias sociais assumem um forte papel nas estratégias e marketing das empresas.
Segundo um relatório divulgado pelas empresas “We are Social” e “Hootsuite”, 62% da população brasileira está ativa nas redes sociais e 58% já buscaram por um serviço ou produto pela internet. Dados informam que 37% das pessoas realizaram uma compra influenciadas pela TV, por outro lado, 29% afirmam adquirir algo por terem visto o produto primeiro na internet.
Um estudo aponta que, dos 7 bilhões de aparelhos ativos no mundo, cada um deles é consultado mais ou menos 150 vezes ao dia. Esses dados apenas refletem o tanto que a população, hoje em dia, é extremamente dependente da tecnologia e das mídias sociais. segundo o portal UOL.
Cristiano Nabuco, psicólogo que concedeu entrevista para o site Viva Bem, disse que quando uma pessoa desliza o dedo na tela do smartphone tem satisfação semelhante a alguém que puxa a alavanca de uma máquina caça-níquel. O resultado é que o esforço, salvo as devidas proporções, faz com que o cérebro libere dopamina, um neurotransmissor que gera a sensação de bem-estar. Fonte: Site - Tech Tudo.
O consumo dessas mídias pode ter dois direcionamentos na vida de do usuário, como analisa Fernanda Medeiros, professora da disciplina de mídias digitais do Centro Universitário Estácio de Belo Horizonte: “Além de criarem laços importantes, as mídias sociais ampliam as chances de acesso à informação e podem levar praticidade ao dia a dia dos usuários. No entanto, esses aspectos positivos não são "regras"; não significa que todo usuário se beneficia diretamente com as mídias sociais. Elas são potentes, mas também podem ser nocivas em vários outros aspectos”, declarou.
O vício em redes sociais é uma realidade e tem impactos impossíveis de ignorar. Um estudo apresentado pela Universidade de Chicago, revelou que é mais fácil as pessoas dizerem não ao álcool e cigarro do que às redes sociais. Sintomas de crise de abstinência, como ansiedade, excessos de raiva, suores e até depressão quando há afastamento da rede, são comuns.
Élida Lana, estudante de jornalismo e fotógrafa, diz que utiliza as redes sociais em média 10 horas por dia. Ela tem ciência de que é uma dependente, mas, que apesar de lutar diariamente, quando está em convívio social consegue “se controlar”: “Eu identifico os benefícios que são as questões da comunicação, mantendo-me atualizada e por me auxiliar no trabalho sem custos. Mas um dos principais malefícios é a perda de uma parte da vida social. Apesar do alto consumo, eu tento não atrapalhar meus relacionamentos pessoais. Quando estou em uma roda de amigos, por exemplo, guardo meu telefone e consigo curtir o momento”, disse.
Em contrapartida, ainda existem aqueles que não utilizam nenhuma rede social. Neuza Rezende, explica o porquê de não ter conta no segmento digital: “Na verdade eu não sei usar, nunca me interessei. Às vezes vejo as pessoas não largando os celulares e isso chega a me incomodar, então não quis isso para mim. Já tentei utilizar o WhatsApp, mas não consigo ter paciência de ficar o tempo todo olhando e mexendo como as pessoas fazem”, brincou.
Ainda sobre aqueles que não usam as redes sociais, ou, no caso, que tem um consumo extremamente baixo, conhecemos Ronaldo Duarte. O estudante de jornalismo nos conta qual é a reação das pessoas ao saberem que ele não tem uma conta no WhatsApp, a terceira rede social mais utilizada no mundo: “Quando falo que não uso [o WhatsApp], elas compreendem, mas se decepcionam, pois é raro uma pessoa atualmente não fazer o uso dessa ferramenta. E aí devem pensar ‘como uma pessoa da idade dele não tem o app?'”, falou.
Mesmo sem usar as redes sociais, Ronaldo sente falta e entende a agilidade que o aplicativo proporciona na comunicação. “Quando eu preciso falar com alguém com uma certa urgência, a falta do WhatsApp é notável”, finalizou.
Mesmo com os benefícios que as mídias trazem hoje em dia, é fundamental utilizar de forma inteligente, com moderação e respeitando limitações de uso. Não individualizar a maneira de comunicar-se pode ser uma das chaves para agregar as mídias em sua vida profissional ou pessoal.

A psicóloga Caroline Leão, de 25 anos, escreveu seu TCC sobre os impactos das redes sociais na sociedade e conversou conosco sobre o assunto.
C.N: Quais os benefícios das mídias sociais para a sociedade?
Caroline Leão: Com advento da tecnologia, podemos perceber que várias coisas ficaram mais fáceis, por exemplo a questão de trabalho. As mídias sociais ajudam muito, por que existem ferramentas que proporcionam a possibilidade de alavancar sua profissão. Um exemplo claro disso é o LinkedIn. São pessoas fazendo propaganda, conhecendo pessoas que possam proporcionar algo de bom em sua vida profissional. Outro fator é que esse avanço simplificou a resolução de problemas que antes demandava um dia inteiro para resolver, mas hoje por sua facilidade de interação é possível resolvê-los quase que instantaneamente.
C.N: Quais os impactos para Quem não usa redes sociais?
Caroline Leão: Hoje em dia acho difícil falar sobre pessoas que não usam muito as redes sociais e isso inclui pessoas com a idade mais avançada. Quando não se usam as redes sociais isso significa estar fora de um grupo social e as pessoas às vezes utilizam para se sentir parte de um grupo. Os que não usam sofrem preconceito por não estarem inseridos em um estilo de vida em que a maioria da população está.
C.N: Qual a imagem que as pessoas querem passar nas redes sociais?
Caroline Leão: Depende muito. Existem pessoas que buscam nas redes sociais mostrar aquilo que não conseguem ser na vida real. Utilizam para valorizar ou menosprezar o seu eu. Podemos observar o exemplo do Tinder. São várias fotos de pessoas em um aplicativo totalmente narciso, apresentando um cardápio de opções em que é possível escolher a pessoa que mais agrada fisicamente ou não. Caso se agrade, é possível manter conversas, podendo chegar até em um relacionamento pessoal.
C.N: Quando vira vício?
Caroline Leão: Bom, digamos que a utilização das mídias sociais podem ser consideradas um vício. Quando você pega o celular e se aliena, esquece do mundo lá fora. É quando a pessoa não consegue separar esse mundo de fantasia com a realidade. Existem pessoas que chegam até perder emprego e várias outras coisas na vida por causa de redes sociais. Vejo que existem esses malefícios quando a pessoa cria nesse mundo virtual um universo fantasioso, tão bom que ela não quer sair de lá, porque ela considera sua realidade difícil, mas nas redes sociais ela vive em um baile de ilusões, uma versão de Alice no País das Maravilhas. Ela permanece nas redes sociais porque ali encontra um prazer momentâneo, uma satisfação. Quando ela sai daquele ambiente, não sente mais isso e é justamente pelo fato de ser um prazer momentâneo que ela volta para rede social.
C.N: O vício em redes sociais pode ser considerado como doença?
Caroline Leão: Não é certo utilizar termo doença, porque no aspecto psicológico a gente usa a questão de transtorno. Quando eu falo doença, coloco muitas pessoas na posição de paciente. Esses transtornos de ansiedade ocorrem pela busca excessiva por curtidas e comentários. Outros transtornos podem ser apontados como os depressivos, que ao olhar vida do outro pela tela e perceber que aparentemente é um pouco melhor que a dela, se sente com a baixa autoestima. Há também aqueles que entram na questão de supervalorização do eu, querendo mostrar que tem uma vida boa, sempre se colocando nesse processo.
C.N: Quais as medidas para as pessoas que se encontram viciadas nas mídias sociais?
Caroline Leão: O primeiro problema de uma pessoa viciada é reconhecer o seu vício. Geralmente, esse reconhecimento vem por pessoas mais próximas como parentes ou amigos que percebem o excesso na utilização das redes sociais. Existem hoje clínicas para pessoas que sofrem com esse vício, só que o ponto ideal para pessoa que se encontra viciada nas mídias sociais é realmente se perguntar por quê as redes sociais são tão importantes para você e o que ela te traz. Fazer assim uma auto-análise ou uma análise com profissional.

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