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Desafios enfrentados pelo professor

redacaoestacio2019
19 de jun. de 2019
4 min de leitura

A educação é base de tudo, e ter direito a ela de forma gratuita e com qualidade é um direito constitucional. O Estado deve oferecer educação e dar aos alunos condições para o acesso e permanência na escola. Professores deveriam ser os profissionais mais bem remunerados do mundo, tendo em vista que são eles quem formam os profissionais que atuam em todas as áreas no mercado de trabalho.


Uma pesquisa realizada pelo movimento "Todos Pela Educação", idealizado pelo Ministério da Educação (MEC), que tem o objetivo de assegurar o direito à educação Básica de qualidade para todos os cidadãos, mostra que professores de nível superior recebem o equivalente a 54,5% do que ganham outros profissionais que também tem com curso superior. Além do salário baixo, esses profissionais ainda têm que lidar com pagamentos atrasados e falta de comprometimento do Estado com os benéficos que são de direito dos professores.


Diante tantas dificuldades e inúmeros desafios encontrados no plano da educação no Brasil, principalmente no que diz respeito à educação pública, ser professor é um trabalho que exige cada vez mais força e amor pela profissão.


Edvaldo Camargo é professor na rede pública há 12 anos, trabalha com alunos oriundos da periferia, em condições de vida precárias. O educador conta que começou sua carreira em escolas pertencentes a bairros periféricos, "Comecei em escolas que atendiam a bairros de baixa renda. Alunos provenientes de famílias diversas, mas na maioria famílias humildes, filhos de mães solteiras, pais separados, garotos envolvidos com o crime, usuários de drogas, etc. Escolas com pouca ou nenhuma estrutura, uma rotina de tensão, desinteresse e baixo desempenho por parte dos alunos", conta.


Para Edvaldo, o maior desafio de sua profissão, não está dentro da escola, mas sim fora dela: “Muito mais sério do que a falta de verbas, ou a má utilização destas, são as constantes tentativas de implantar aqui experiências ou teorias exportadas de outros países, completamente diferentes do nosso", conta.



A INFRAESTRUTURA DAS ESCOLAS


A precariedade na infraestrutura das escolas públicas é um dos primeiros e mais evidentes problemas para o bom desenvolvimento da educação. E ela não diz respeito somente à estrutura física dos prédios, cuja falta de manutenção é muitas vezes perceptível. A falta de mobiliário específico e adequado para os alunos é também um grande problema. Carteiras estragadas, pequenas e desconfortáveis desmotivam ainda mais os alunos.


A professora Maria José Mendes Freitas, 45 anos, pós-graduada em Supervisão Escolar e em Psicopedagogia Clínica e Institucional, relata que a falta de infraestrutura é o maior problema enfrentado por ela na sala de aula: "Eu sempre tentei ser uma professora inovadora, mas como? Sem estrutura, áreas verdes, biblioteca adequada, sala de estudo, espaço para que pudéssemos trabalhar dignamente. Estes seriam ambientes para que o aluno desenvolvesse suas habilidades com mais prazer, um ambiente agradável, com uma estrutura impecável é imprescindível para que o aluno aprenda", conta.



A AUSÊNCIA DOS PAIS NAS ESCOLAS


Professores são capazes de influenciar a vida do aluno mais que os próprios familiares, como conta a psicóloga Rayanne Ferreira: "Muitos jovens e crianças se sentem mais confortáveis em conversar e se abrir com seus professores que com seus pais. É muito comum hoje em dia, nos depararmos com situações em que os professores são os primeiros a perceberem problemas sérios com seus alunos", avalia.


A falta de comprometimento dos familiares com a vida acadêmica de seus filhos é algo que dificulta muito o trabalho dos professores. O professor Edvaldo conta que no ambiente escolar agressões verbais são constantes e não apenas por parte dos estudantes, mas principalmente de familiares.


Para as psicólogas Rayanne Ferreira e Eduarda Oliveira a participação da família na escola gira em torno de dois pontos: relacionamento e confiança. Quando a família se torna mais participativa nas atividades escolares há maior confiança na escola e melhor rendimento do aluno.



SISTEMA DE ENSINO ANTIQUADO


Um problema relatado pelo professor Edvaldo é que uma série de normas de ensino que foram instauradas há muitos anos, e hoje em dia já não fazem tanto efeito.


Para o educador, hoje os professores não têm liberdade e autonomia para seguir seu próprio plano de aula, precisam usar métodos ultrapassados, que não se encaixam com a atualidade. "Outra grande dificuldade para mim é a falta de liberdade para construir um plano de aulas e fixar um calendário em que as datas realmente sejam obedecidas. Outra coisa que pesa e atrapalha é a falta de autonomia para fixar parâmetros, normatizar quais conhecimentos o aluno deve alcançar, que metas ele deve atingir do ponto de vista do conhecimento adquirido e de como seu cognitivo vai ser construído", raciocina.


Em 2004 o Instituto de Pesquisas Avançadas em Educação (IPAE) lançou a Cartilha de Educação, ela determina que todos os professores da rede pública do país precisam seguir uma mesma forma de ensino. A professora Maria José afirma que nas escolas públicas o professor não tem autonomia de verdade, segurança para estabelecer as regras de conduta e aferição do conhecimento ou liberdade para desenvolver experiências ou testar novas possibilidades de ensino. Para a professora, fatos assim comprometem a autoridade do professor perante os alunos: "Nessa atual progressão do ensino, o aluno sabe que não precisa fazer nenhum esforço para passar de ano, com isso a desmotivação do professor cada dia aumenta mais. A escola hoje tornou-se um local de encontro, da amizade, de namoro; mas quase nunca de educação", avalia.



A Cartilha de Educação pode ser encontra no link: http://www.ipae.com.br/direitoeduca/cart_direit_educ.htm

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